Antes da Primeira Carta
- Wesley Vidal da Luz

- 16 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

O Tarô não é um conjunto de respostas prontas, nem um manual de destinos. É uma ferramenta que, dentre seus vários usos, pode ser entendida como linguagem simbólica que atravessa imagens, gestos, silêncios e perguntas. Quando colocado em cena, ele não resolve a vida - ele a torna legível por instantes.
Ler Tarô é suspender a pressa de decidir e aceitar o trabalho mais delicado de observar. Observar o que se repete, o que se desloca, o que insiste. O que pede cuidado. O que pede corte. O que pede movimento.
No meu lidar com o tarot ao longo dos anos, aprendi a enxerga-lo como prática cotidiana, como espelho, como analogia e, principalmente, como campo simbólico da vida, um espaço onde exercitar a sensibilidade, a atenção, a ludicidade e a capacidade de fluidez frente ao fluxo irrevogável da vida.
Vejo o tarot como um campo onde orientação, aconselhamento e previsão coexistem sem hierarquia rígida — porque toda previsão que não passa pela consciência se torna ruído, e toda consciência que recusa o tempo se torna estéril.
Este blog é um espaço de escrita, imagem e pensamento. Aqui, os Arcanos não serão apresentados como personagens fixos, mas como forças em relação. Às vezes um texto parte de uma carta; outras vezes, a carta nem surge. Quero falar sobre a prática, discorrer sobre percepções próprias que, no final das contas, não creio que sejam só minhas. Quero filosofar sobre tarot, dar risada com o tarot. Quero propagar o tarot para o mundo, enaltecendo esse oráculo e sua arte misteriosa de ressoas a vida.
Não espere aqui receitas de vida nem verdades universais. Espere ensaios, fragmentos, jogos de linguagem, observações de percurso. Textos que não querem fechar o sentido, mas o sustentam aberto o tempo suficiente para que algo se mova.
Abrir o baralho é sempre um gesto de risco.
Escrever também.
Este é o primeiro corte.
O resto, veremos carta a carta.

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